terça-feira, 24 de outubro de 2017

Capítulo de um livro publicado em setembro de 2017 sobre a migração da TV Digital.



LEMOS, Gleice Amélia Gomes; FERREIRA, D. A.; SILVA, M. L. A.; MARTINS, C. R.; PAULA, K. F.
TV digital: experiência de migração em um projeto de alfabetização de jovens e adultos In: TV digital [recurso eletrônico]: o desligamento do sinal analógico e a adaptação dos telespectadores.1 ed. Brasília : Universidade Católica de Brasília, 2017, v.1, p. 17-274.

TV digital: experiência de migração em um projeto de alfabetização de jovens e adultos 


Cristiane Rodrigues Martins 
Dailene Alves Ferreira 
Gleice Amélia Gomes Lemos 
Katiene Fernandes de Paula 
Maria de Lourdes de Almeida Silva 

Introdução 


     Para iniciar este relato, cabe fazer uma breve apresentação de um projeto de extensão da Universidade Católica de Brasília – Projeto Alfabetização Cidadã – uma vez que a experiência aqui relatada está atrelada aos objetivos dessa ação social e ao contexto metodológico que o projeto se propõe a desenvolver. O Alfabetização Cidadã é um projeto de extensão universitária que visa à alfabetização de pessoas jovens e adultas. Iniciado no ano de 1993, se propõe a alfabetizar adultos a partir de 18 anos de idade que não tiveram acesso e/ou condições de se escolarizarem na idade recomendada pelo MEC. 
     Aos 24 anos de existência, esse projeto, por meio de diversas parcerias, muito contribuiu e contribui para a erradicação do analfabetismo no Brasil. Desde 2010, o Alfabetização Cidadã concentra suas atividades somente no Distrito Federal e entorno, em parceria com o Rotary Club Distrito 4530 e a empresa Sustentare Ambiental, que presta serviços de limpeza e coleta de lixo ao Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU/DF). O curso de alfabetização é constituído por módulos com duração de nove meses, sendo um módulo para a capacitação inicial de alfabetizadores e os demais para realização das aulas. 
      A metodologia está fundamentada no letramento de pessoas jovens e adultas na perspectiva sócio-histórica. A concepção sócio-histórica  busca desenvolver uma proposta educacional em que, na construção do conhecimento, não apenas se contemple ou interprete a realidade, mas que essa união com a realidade concreta, presente no cotidiano, seja um compromisso com a sua transformação. Os participantes, nessa concepção, são homens históricos, reais, e a língua ocupa um lugar privilegiado como meio de comunicação e como mediadora na formação de pensamentos e de conceitos. A carga horária mínima destinada ao processo de letramento e alfabetização é de 280 horas-aula.
      Por meio do Projeto Alfabetização Cidadã, a UCB contribui com suas parcerias para o combate ao analfabetismo no DF e para a diminuição dos índices de analfabetismo no Brasil. Nesse contexto, destacamos as ações de sensibilização e mobilização das comunidades para que exijam dos governos locais a oferta de escolarização para jovens e adultos, e o incentivo e a garantia do prosseguimento dos estudos (EJA). 
    
      O Alfabetização Cidadã recebe voluntários, estudantes, pesquisadores e contribui para a formação de futuros professores e outros profissionais. Por meio do trabalho voluntário, esses estudantes adquirem experiências práticas em suas áreas específicas e auxiliam na escolarização dos grupos atendidos pelo projeto. Por conseguinte, o Alfabetização Cidadã está ancorado na missão da Universidade Católica de Brasília, que é “Atuar solidária e efetivamente para o desenvolvimento integral da pessoa humana e da sociedade, por meio da geração e comunhão do saber, comprometida com os valores éticos e cristãos, na busca da verdade”. Assim, o projeto tem contribuído com uma parcela na história da educação de jovens e adultos do Distrito Federal. 

 Alfabetização de jovens e adultos e o processo de migração do sinal analógico de TV para o digital: algumas aproximações 


     Num mundo cada vez mais voltado para as tecnologias, a televisão se apresenta como o veículo de comunicação mais presente nos lares brasileiros e fonte de informação e diversão. Integra a cultura brasileira e abre espaços para as suas mais diversas formas de expressão. Em face das inovações tecnológicas, esse veículo possibilita ainda a ampliação dos espaços de interação, fazendo surgir novas e diferentes formas de acesso à informação. 

     Nesse cenário, faz-se imprescindível abordar a migração do sinal analógico de TV para o digital como um dos temas geradores no processo de alfabetização de jovens e adultos. Essa abordagem se dá com vistas ao atendimento dos objetivos propostos para o Alfabetização Cidadã, bem como está em consonância com a metodologia adotada pelo projeto. Balizada em uma metodologia que leva em consideração o sujeito histórico e ideológico, em que suas experiências e aprendizagens no mundo são levadas em consideração no seu processo de escolarização, as atividades do Alfabetização Cidadã se baseiam nos conhecimentos de mundo dos alfabetizandos. 

       Nessa premissa, o ideário freireano defende que “a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele” (FREIRE, 1983, p. 22). Assim, o processo de alfabetização de jovens e adultos alcança um sentido mais amplo, mais significativo, em que o ato de ler e escrever são exercícios que integram o cotidiano do educando, numa perspectiva mais crítica sobre a realidade social. 

     Arroyo (2006) contribui para esse debate ao afirmar que a educação de jovens e adultos sempre fez parte da dinâmica mais emancipadora da sociedade. Para o autor, uma educação voltada para o público jovem e adulto se vincula muito mais aos processos de emancipação do que aos de regulação. Assim, as práticas metodológicas devem estar voltadas às especificidades desse público, com vistas à superação das desigualdades e à emancipação cidadã. 

                                         Para Gadotti: Precisamos tornar a alfabetização de adultos parte                                                          integrante do sistema educativo [...]. Os analfabetos tiveram uma                                                         experiência negativa da escola e incluí-los nela exige a adoção de                                                           metodologias e práticas educacionais e culturais que não reproduzam os                                                   erros cometidos antes, na escola que frequentaram e da qual foram                                                          expulsos (GADOTTI, 2013, p. 21). 


         Nesse contexto, a definição dos aspectos metodológicos é fundamental para que esse processo se dê em um espaço de exercício constante de diálogo. Esse diálogo deve fomentar um processo interativo entre os saberes sistematizados e os saberes socialmente construídos. É necessário priorizar as experiências e considerar os desejos e as inquietações dos educandos, em face de sua condição social no mundo. Diante da necessidade de melhor compreensão dos processos voltados à migração da TV analógica para a TV digital, fez-se uma parceria com o projeto do curso de Comunicação da UCB intitulado Migração para o Sinal Digital de TV Aberta, desenvolvido em parceira com a Seja Digital (BRASIL, 2016). 

   O envolvimento do Projeto Alfabetização Cidadã nesta pesquisa diz respeito à sua responsabilidade social diante da necessidade de fomentar o acesso à informação, principalmente no âmbito dos direitos sociais. Considerando a televisão como uma ferramenta importante no que tange ao acesso à informação, o projeto assumiu sua responsabilidade social por meio de uma ação facilitadora voltada à melhor compreensão, por parte das alfabetizadoras e dos educandos, do processo de transição e migração do sinal analógico de TV para o digital. 

      Com vistas à elaboração desse trabalho conjunto, durante os meses de agosto e setembro de 2016, a equipe do Alfabetização Cidadã participou de palestras, rodas de conversa e oficinas realizadas pela equipe de pesquisadores da UCB. Esses momentos foram relevantes para o acesso às informações sobre o tema. 

      Com base nas informações adquiridas, a equipe do Alfabetização Cidadã elaborou uma proposta de trabalho para que as informações fossem divulgadas e mais bem compreendidas pelos educandos do projeto. O objetivo central dessa proposta era divulgar as informações sobre o processo de migração, com vistas à compreensão desse processo, tanto no sentido operacional quanto no de acessibilidade. Este último se refere, principalmente, ao direito ao Kit gratuito e às vantagens que essa tecnologia oferece. Esse objetivo está voltado para a importância do acesso à informação, principalmente para o público que recebe benefícios do governo.

      De acordo com o Portal Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (BRASIL, 2016), cerca de 370 mil famílias teriam direito a receber o equipamento que permite aos televisores mais antigos receber o sinal digital de TV. Ainda segundo esse portal, além do Distrito Federal, nove cidades de Goiás teriam o sinal analógico desligado até o dia 26 de outubro de 2016. Nesse cenário e diante da necessidade de divulgação dessas informações, o trabalho no Alfabetização Cidadã teve início no mês de agosto de 2016. 

Desenvolvimento 


     As atividades foram realizadas no período de agosto a outubro de 2016 por meio de rodas de conversa, palestras e oficinas que visaram esclarecer pontos importantes, como: distribuição dos conversores no âmbito dos programas de governo; tipos de conversores; possibilidades de acesso; desafios quanto à conexão, dentre outros. Os objetivos traçados para esse trabalho foram: a) reconhecer a importância do processo de migração enquanto possibilidade de mudança e de transformação social; b) capacitar as educadoras para o trabalho junto aos educandos; c) aplicar metodologia voltada à compreensão do processo de migração, como fomento à aprendizagem significativa e à criatividade; d) contribuir para a divulgação das informações referentes ao processo de migração para a TV digital. 

     A estratégia definida para essa atividade consistiu no aprofundamento sobre o tema com base na observação e na confecção de um aparelho conversor. Inicialmente, foi realizada uma oficina para 14 alfabetizadores do Alfabetização Cidadã. A oficina foi organizada pelo Grupo de Pesquisa TV Digital, que disponibilizou os equipamentos necessários e fez demonstrações in loco com vistas à melhor compreensão do processo por parte das alfabetizadoras. 

Após essa etapa inicial, foram realizadas rodas de conversa, dentre outras atividades junto aos educandos nas salas de aula, para a apresentação de material impresso cujo conteúdo informava sobre o Cadastro Único.26 Esse material foi de extrema importância nesse momento, uma vez que apresentava uma lista indicativa de todos os programas sociais que compunham esse cadastro. Além disso, disponibilizava as demais informações sobre a retirada dos kits gratuitos para o público cadastrado. Na sequência, ainda nas salas de aula, foi realizada uma oficina cujo objetivo era a confecção de um protótipo de um conversor digital feito com caixa de sapato e acessórios de materiais escolares. Os educandos tiveram a oportunidade de, além do acesso às informações, construir um protótipo e, assim, puderam melhor compreender o processo de instalação, bem como dos demais benefícios desse aparelho. 

 Sobre essas atividades desenvolvidas, apresentaremos a seguir algumas reflexões, fundamentadas nos aportes teóricos que fundamentam as ações do Alfabetização Cidadã e na opinião das alfabetizadoras sobre esse trabalho. Para tanto, foi aplicado um questionário, com perguntas objetivas e abertas, no intuito de obtermos dados para melhor fundamentação das reflexões. Das 14 alfabetizadoras, seis solicitaram afastamento do projeto no ano de 2017, motivo pelo qual apenas oito participaram do processo de coleta de dados.

    Os dados levantados a partir das respostas advindas do questionário foram analisados com base em Bardin (2010). A análise de conteúdo, segundo a autora, é um conjunto de técnicas que têm por objetivo a superação da incerteza e o enriquecimento da leitura. Assim, faz-se necessária uma fundamentação e explicitação clara de objetivos e de delimitação dos dados para a investigação.

O processo de migração para a TV digital e o trabalho junto aos jovens e adultos: o que dizem as alfabetizadoras 


Os objetivos propostos para o trabalho dizem respeito aos esclarecimentos das mudanças que o processo de migração para a TV digital acarretará à sociedade e à capacitação dos educadores diante da necessidade da divulgação dessa migração para os educandos e suas comunidades. Portanto, as atividades com os educandos se basearam em conhecer e compreender as mudanças propostas com a adaptação desse novo recurso tecnológico. 

Na opinião das educadoras, esses momentos foram fundamentais para a melhor compreensão dos processos que permeiam a migração para a TV digital. A seguir, apresentamos alguns dados relativos a esse momento inicial. 


É salutar, nesse contexto, trazer à discussão as ideias de Freire (2000, p. 41): “ensinar exige a apreensão da realidade”. Para o autor, ensinar exige a capacidade de aprender não apenas para nos adaptar, mas, sobretudo, para transformar a realidade, para nela intervir, recriando-a. 

Nessa direção, segundo Arroyo (2006), uma pedagogia voltada para jovens e adultos tem de partir de sujeitos que têm voz, que têm interrogações, que participam do processo de formação. Esses são sujeitos participantes de outros processos de formação, logo, precisam de uma pedagogia que esteja em consonância com a realidade ancorada em novo pensamento pedagógico. 

Diante dessas ideias, podemos inferir que os processos de capacitação e de formação continuada são imprescindíveis para a construção de uma pedagogia que considere o sujeito como protagonista do seu processo de aprendizagem. Para tanto, é preciso que o educador assuma uma postura de pesquisador em face da necessidade de melhor conhecer, tanto os fundamentos da educação de jovens e adultos quanto para apreensão da realidade, com vistas a transformá-la e recriá-la (FREIRE, 2000). 

 O acesso e o não acesso às informações, uma vez que, os alfabetizadores, disseram que os alunos não tinham conhecimento prévio sobre o processo de migração. Soma-se a esse problema o fato de que esse público ainda está em processo de alfabetização e, portanto, é importante discutir o quanto a aquisição da leitura e da escrita é imprescindível nesse contexto. 

Nesse sentido, faz-se importante trazer à baila as ideias de Gadotti (2013), que nos alerta sobre o quanto precisamos da adoção de metodologias e práticas educativas e culturais que contribuam para minimizar os erros cometidos pela escola que esses jovens e adultos outrora frequentaram. É preciso repensar as práticas pedagógicas voltadas para esse público, com vistas à superação do analfabetismo, a fim de que as informações sejam, de fato, acessíveis a todos os cidadãos e cidadãs.

 Quanto à confecção do protótipo do conversor, as alfabetizadoras relataram que foi uma atividade inovadora que possibilitou o esclarecimento de dúvidas, principalmente sobre o processo de instalação do conversor. Alguns alunos puderam contribuir com suas comunidades, divulgando as informações e compartilhando os conhecimentos adquiridos em sala de aula. 

No entanto, a construção desse aparelho não foi realizada em uma das turmas. Segundo a alfabetizadora, essa turma já apresentava conhecimentos sobre o processo de migração. Situada numa região central do DF, levantamos a hipótese de que os estudantes tiveram mais contato e/ou acesso às informações. Todos já tinham conversores, e a educadora abordou o tema e aproveitou os conhecimentos do grupo para ampliar o debate sobre o processo de interatividade. 

Essa situação nos remete às ideias de Freire (2000), que nos convida a refletir sobre o processo de autonomia e de participação do educando nos processos pedagógicos. 

Saber que devo respeito à autonomia, à dignidade e à identidade do educando e, na prática, procurar a coerência com este saber me leva inapelavelmente à criação de algumas virtudes ou qualidades sem as quais aquele saber vira inautêntico, palavreado vazio e inoperante (FREIRE, 2000, p. 61). 

Diante dessa reflexão, as necessidades e as demandas atuais de aprendizagem são relevantes como forma de tema gerador no processo de alfabetização. Ouvir o educando é ampliar as possibilidades de expressão das suas ideias e também de suas inquietações diante dos desafios pertinentes ao processo de aquisição da leitura e da escrita. 

Ao serem indagadas sobre os benefícios do processo de migração para TV digital para os educandos e suas comunidades, as respostas foram as seguintes: imagem de melhor qualidade; as letras ficam mais nítidas; ampliação do número de canais e, consequentemente, ampliação do acesso às informações. Ainda segundo uma das educadoras do Alfabetização Cidadã, 

[...] a importância do tema em questão se deu pelo fato de que os nossos educandos precisavam compreender o funcionamento de um conversor digital. A participação na oficina para a confecção de um protótipo foi importante, uma vez que o educando teve a oportunidade de manusear materiais diversos, de elaborar hipóteses sobre o funcionamento do conversor e de aprender, na prática, como instalá-lo. Esses conhecimentos foram estendidos às suas comunidades (Alfabetizadora, 2017). 

É importante destacar na fala dessa educadora o quanto esse trabalho foi significativo para os educandos, assim como para as reflexões que permeiam as metodologias adotadas no âmbito da educação de jovens e adultos. Conforme nos diz Arroyo (2006, p. 19), “uma educação voltada para o público jovem e adulto se vincula muito mais aos processos de emancipação do que aos de regulação”. Dessa forma, podemos compreender que a definição das estratégias metodológicas implica o atendimento às especificidades desse público. É preciso que haja, por parte dos educadores, a proposição de métodos que tornem a aprendizagem mais significativa com vistas a uma educação emancipadora e cidadã. 

Conclusão 


O trabalho realizado pelo Projeto Alfabetização Cidadã, em parceria com a Entidade Seja Digital, cumpriu uma das premissas de um projeto de extensão, ou seja, oportunizou o debate sobre os sistemas de comunicação, o acesso à informação como direito social e revelou o quanto precisamos refletir sobre o acesso às informações no nosso país, sobretudo no âmbito da educação de jovens e adultos. Reconhecer a importância desse projeto integra o compromisso e a responsabilidade do Alfabetização Cidadã com seus educandos e com as comunidades nas quais estão inseridos. O processo de capacitação das educadoras culminou em aprendizados significativos e voltados às necessidades tanto das educadoras quanto dos educandos. 

Os temas ligados à migração digital foram debatidos e trabalhados nas turmas do Alfabetização Cidadã, entre os meses de agosto e outubro de 2016, o que contribuiu para a ampliação dos conhecimentos dos educandos sobre o tema, além de incentivá-los a aprofundar os conhecimentos previamente adquiridos. A confecção do protótipo contribuiu para um aprendizado mais significativo, uma vez que a atividade foi desenvolvida numa perspectiva de aproximação entre teoria e prática.

À equipe de alfabetizadoras que participou desse projeto em 2016, o nosso agradecimento. 

Amanda Vieira Teles; Cláudia Damiana da Silva Teixeira; Edivanete de Souza Pereira; Eliam Cássia Cruz dos Reis; Eunice Nascimento dos Santos; Ivani Pires Júlio Lima; Maria das Montanhas Gonçalves do Nascimento; Maria do Socorro Silva; Maria Lúcia Souza Diniz; Maristela Vicente dos Santos; Onília Martins dos Santos; Otília Azevedo Lima; Silvana Alves Machado; Valdomira Dionísio de Jesus Pereira; Williane Carvalho. Tânia Maria Silveira Varela e Rogéria Cristina S. Teixeira (voluntárias).


Referência

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